| Abuso de uns, omissão de outros |
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| Escrito por Percival Puggina | ||
| Quinta, 20 de Novembro de 2008 07:43 | ||
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Quase ninguém gosta de ser avaliado. Há quem fuja até de exames médicos imprescindíveis. Estudantes detestam provas. Se você quer ver um sindicato de professores rodando a baiana basta sugerir uma avaliação sistemática da qualidade do ensino. No setor público, criam-se Planos de Cargos e Salários para carreiras que utilizam formulários de avaliação periódica, mas não se tem notícia de que alguém tenha sido demitido por incompetência. Aceita-se de bom grado prêmio por elevado desempenho, contanto que não haja punição ao mau desempenho e não se sustem os progressos automáticos nas carreiras.
No último dia 9 de novembro foi realizado o exame de 2008. Uma das questões comuns a todos os cursos informava que os países da União Européia estavam sistematizando suas leis de proteção às mulheres. Em seguida, apresentava aos alunos alternativas sobre temas que, a seu juízo, deveriam estar necessariamente contidos nessa legislação. A alternativa considerada como certa era esta: "violência doméstica e aborto". O gestor público que aprovou o conteúdo dessa prova e o respectivo gabarito incorreu em incitação ao crime e estabeleceu, por outro lado, no ambiente acadêmico, o delito de opinião. De fato, dado que aborto é crime, determinar com a segurança de um gabarito oficial que o aborto é uma coisa boa para as mulheres, constitui estímulo ao cometimento desse mesmo crime. E, considerando que a questão tem conteúdo opinativo, discordar do que pensa a autoridade pública nessa matéria foi conduta punida com redução de nota no exame. Incitação ao crime e censura à opinião divergente. Fonte: http://www.puggina.org/ |