| O CAMINHO DA SERVIDÃO |
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| Escrito por http://estantedolivreiro.blogspot.com |
| Segunda, 19 de Novembro de 2007 07:24 |
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( Download do livro O Caminho da Servidão [Arquivo PDF]: clique aqui! ) Friedrich Hayek - Parte 1
As palavras acima são de John Maynard Keynes sobre o livro "O caminho da servidão", de Friedrich August Von Hayek, escrito numa época conturbada: 1940-1943. Sim, Hayek escreveu seu livro mais famoso em Londres, durante os bombardeios alemães da Segunda Guerra Mundial e publicou-o em 1944 - quando o conflito caminhava para o seu final. O desenvolvimento do comércio, da ciência, o aumento do conforto material dos trabalhadores a partir do século XIX (algo que parecia impossível um século antes) estão intimamente ligados à liberação das energias individuais. Diz Hayek:
Entretanto, essa liberação de forças individuais não foi percebida pelos seus defensores, mas antes pelos seus inimigos como Auguste Comte que chamou a "revolta do indivíduo contra a espécie de "eterna doença". "[A filosofia do individualismo] não parte do pressuposto de que o homem seja egoísta ou deva sê-lo, como muitas vezes se afirma. Parte apenas do fato incontestável de que os limites de nossos poderes de imaginação nos impedem de incluir em nossa escala valores mais que uma parcela das necessidades da sociedade inteira; e como, em sentido estrito, tal escala só pode existir na mente de cada um, segue-se que que só existem escalas parciais de valores, as quais são inevitavelmente distintas entre si e mesmo conflitantes. Daí, incluem certos individualistas que se deve permitir ao indivíduo, dentro de certos limites, seguir seus próprios valores e preferências em vez dos de outrem (...)" Ou então à visão concebida do termo "privilégio": "(...) a aplicação do termo 'privilégio' à propriedade como tal. Ela seria efetivamente um privilégio se, por exemplo, como sucedeu por vezes no curso da história, a propriedade de terra fosse reservada aos membros da nobreza. É privilégio também se, como sucede nos nossos tempos, o direito de produzir ou vender determinados bens é reservado pela autoridade a certos indivíduos. Mas chamar de privilégio a propriedade privada como tal, que todos podem adquirir segundo as mesmas normas, só porque alguns conseguiram e outros não - é destituir a palavra privilégio do seu significado." Aqui podemos fazer uma parada. Hayek termina este parágrafo falando da destruição do significado de uma palavra. Acontece que os regimes totalitários são mestres nesta "arte": "O meio mais eficaz de fazer com que as pessoas aceitem os valores aos quais terão de servir é persuadi-las de que tais valores são, na realidade, os mesmos que elas, ou pelo menos as mais esclarecidas entre elas, sempre defenderam, mas que antes não eram devidamente compreendidos ou apreciados. Leva-se o povo a abandonar os velhos deuses pelos novos, sob o pretexto de que estes são de fato como por instinto supunham que fosse, embora até o momento sóo percebessem de maneira vaga. E a técnica mais eficiente para a consecução desse fim é continuar a usar as velhas palavras, alterando-lhes, porém, o sentido. Poucos aspectos dos regimes totalitários despertam tanta confusão no observador superficial e são, ao mesmo tempo, tão caraterísticos do clima intelectual desses sistemas, como a completa perversão da linguagem, a mudança de sentido das palavras que expressam os ideais dos novos regimes.
"Os princípios básicos do liberalismo não contêm nenhum elemento que o faça um credo estacionário, nenhuma regra fixa e imutável. (...) Talvez nada tenha sido mais prejudicial à causa liberal do que a obstinada insistência de alguns liberais em certas regras gerais primitivas, sobretudo o princípio do laissez-faire."
"A impaciência crescente em face do lento progresso da política liberal, a justa irritação com aqueles que empregavam a fraseologia liberal em defesa de privilégios anti-sociais, e a ilimitada ambição aparentemente justificada pela melhoria material já conquistada fizeram com que, ao aproximar-se o final do século [XIX], a crença nos princípios básicos do liberalismo fosse aos poucos abandonada. (...) Já não se tratava de ampliar ou melhorar o mecanismo existente, mas de descartá-lo e substituí-lo por outro."
"Quase não nos ocorre hoje que o socialismo era, de início, francamente autoritário. Os autores que lançaram as bases do socialismo moderno não tinham dúvida de que suas idéias só poderiam ser postas em prática por um forte governo ditatorial. (...) No que se referia à liberdade, os fundadores do socialismo não escondiam suas intenções. Eles consideravam a liberdade de pensamento a origem de todos os males da sociedade do século XIX, e o primeiro dos planejadores modernos, Saint-Simon, chegou a predizer que aqueles que não obedecessem às comissões de planejamento por ele propostas seriam 'tratados como gado'."
"A democracia amplia a esfera da liberdade individual, o socialismo a restringe. A democracia atribui a cada homem o valor máximo; o socialismo faz de cada homem um mero agente, um simples número. Democracia e socialismo nada têm em comum exceto uma palavra: igualdade. Mas observe-se a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade na repressão e na servidão." Aqui, encerro a primeira parte.
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